Ao apresentar ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na visita do Presidente ao primeiro prédio construído no Sambizanga, o projeto de urbanização e requalificação deste distrito urbano ligado ao município de Luanda, José Tavares, da Comissão Administrativa de Luanda, lembrou as palavras do próprio Presidente José Eduardo dos Santos que sempre defendeu a necessidade da reconversão urbana ser realizada sem conflitos, assumidamente como uma reconversão urbana inclusiva que respeita e fixa as famílias tradicionais que marcam o povoamento destas áreas.

O Presidente da República visitou esta obra emblemática, um edifício de 15 pisos, que irá albergar as primeiras 150 famílias a serem desapossadas das suas antigas casas, existentes nas áreas contempladas no projeto, as primeiras de uma enorme comunidade de mais de 15 mil famílias do Sambizanga que serão, paulatinamente, albergadas em apartamentos com condições de habitabilidade muito melhoradas e ao nível do que de mais moderno se oferece no Primeiro Mundo.

De acordo com as citações vindas a público na Imprensa, o responsável pela Comissão Administrativa de Luanda disse que chegou a hora, agora que a vida nacional começa a dar passos firmes para a normalidade, “de todos colaborarem e contribuírem para a reorganização, desenvolvimento e o embelezamento das cidades, muitas das quais terão de estabelecer planos de reordenamento e de desenvolvimento urbano que tenham em conta todos os interesses que possam ser executados sem conflitos”.

Esta ideia de uma regeneração urbana feita a pensar nas populações, nomeadamente nas “famílias tradicionais” de cada bairro ou área urbana alvo de um projeto desta envergadura, para utilizar a feliz expressão do Presidente José Eduardo dos Santos, é uma das marcas mais humanistas em qualquer ação de reconstrução de uma cidade.

A renovação das cidades tendo em vista a criação de condições que proporcionem a quem nelas vive maior qualidade de vida é uma das missões dos Estados mais modernos e uma marca de um desenvolvimento alcançado em função dos interesses das populações a quem as cidades devem servir cada vez melhor. A vida no Sambizanga, ou no Bairro Operário, uma das urbanizações populares de Luanda que também será alvo de uma reconstrução moderna, não pode parar e ser, eternamente, igual ao que era, quando era local apenas destinado aos menos privilegiados.

Esta é uma das marcas mais significativas das cidades modernas, obrigatoriamente inclusivas para todos quantos a procuram para nela morar.

Luís Lima

Presidente da CIMLOP - Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa