Angola é um dos países prioritários para a China em África, continente em que nos próximos anos continuará a aprofundar o seu envolvimento, de acordo com o centro de estudos norte-americano Brookings.
No artigo recente “África na Política Externa da China”, publicado pela Brookings, o analista Yun Sun identifica como sinais de evolução na relação entre a China e os países africanos o aumento do investimento na formação de recursos humanos africanos e ainda o fomento de programas de responsabilidade social no continente.
“Nos próximos anos, o envolvimento da China em África deverá crescer”, diz o analista, prevendo que o sistema actual se “actualize adoptando soluções rápidas para alguns problemas sociais.
Actualmente, afirma o documento a que o Macauhub teve acesso, “as actividades económicas da China estão a um nível sem precedentes”, uma tendência que também coloca desafios.
Para Yun Sun, recomenda-se uma reconsideração estratégica mais profunda da relação, na qual é hoje prioritário aceder a recursos naturais africanos e a este mercado em crescimento, como estímulo ao crescimento económico chinês.
Sendo Angola em África o maior fornecedor de petróleo à China, a par do Sudão, o estudo dá grande destaque ao papel do país de língua portuguesa entre os principais parceiros chineses no continente.
Os dois países estabeleceram em 2010 uma parceria estratégica, com a China a fornecer linhas de crédito e Angola a pagar com petróleo, que fez com que o comércio bilateral aumentasse mais de 2 mil por cento entre 2002, final da guerra civil e 2012, fazendo de Angola o segundo principal parceiro da China de entre os oito países de língua portuguesa.
De acordo com os dados oficiais, as trocas comerciais entre os dois países ascenderam a 35,91 mil milhões de dólares em 2013, com a China a vender a Angola produtos no valor de 3,96 mil milhões de dólares e a comprar mercadoria cujo valor ascendeu a 31,94 mil milhões de dólares.
Segundo Yun Sun, as prioridades de Pequim fazem com que o Ministério do Comércio chinês se mostre “naturalmente inclinado” a consignar grande parte dos apoios externos a países que oferecem mais oportunidades e benefícios comerciais à China.
Uma vez que o interesse económico chinês está virado para recursos naturais africanos, são os países ricos em recursos a merecer mais atenção, como é o caso de Angola.
O nível de apoio a Angola foi de tal ordem e o regime de ajuda tão eficaz que acabou por ser alargado a outros países com o nome de “Modelo Angola” – acordos de financiamento com baixas taxas de juro para os países africanos, garantidos com o fornecimento de matérias-primas.
“Estes países têm grande dificuldade em obter financiamento nos mercados financeiros internacionais e a China fez com que esse financiamento estivesse relativamente disponível”, escreve Yun Sun.
Angola completou o primeiro empréstimo garantido por petróleo em Março de 2004 e, segundo o analista, as linhas de financiamento ajudaram as petrolíferas chinesas a assegurar contratos de exploração.
Em 2005, a aquisição pela Sinopec do Bloco 3/80 coincidiu com o anúncio de um novo empréstimo de 2 mil milhões de dólares a Angola, e em 2010, a mesma petrolífera estatal chinesa comprou 50 por cento do Bloco 18, ao mesmo tempo que a primeira parcela de um empréstimo do Banco de Exportações e Importações da China.
Entre 2004 e 2011, segundo a investigadora Deborah Brautigam, a China efectuou negócios sem precedentes com pelo menos 7 países ricos em matérias-primas, com um valor próximo de 14 mil milhões de dólares.
Luanda recebeu no início de Maio a visita oficial do primeiro-ministro chinês Li Keqiang, inserida numa digressão pelo continente africano que o levou à Etiópia, Nigéria e terminou no Quénia.
Os países assinaram dois acordos, um para a supressão de vistos diplomáticos e o segundo no domínio financeiro, após um encontro entre Li Keqiang e o Presidente angolano José Eduardo dos Santos. 

Angola é um dos países prioritários para a China em África, continente em que nos próximos anos continuará a aprofundar o seu envolvimento, de acordo com o centro de estudos norte-americano Brookings.


No artigo recente “África na Política Externa da China”, publicado pela Brookings, o analista Yun Sun identifica como sinais de evolução na relação entre a China e os países africanos o aumento do investimento na formação de recursos humanos africanos e ainda o fomento de programas de responsabilidade social no continente.
“Nos próximos anos, o envolvimento da China em África deverá crescer”, diz o analista, prevendo que o sistema actual se “actualize adoptando soluções rápidas para alguns problemas sociais.


Actualmente, afirma o documento a que o Macauhub teve acesso, “as actividades económicas da China estão a um nível sem precedentes”, uma tendência que também coloca desafios.


Para Yun Sun, recomenda-se uma reconsideração estratégica mais profunda da relação, na qual é hoje prioritário aceder a recursos naturais africanos e a este mercado em crescimento, como estímulo ao crescimento económico chinês.


Sendo Angola em África o maior fornecedor de petróleo à China, a par do Sudão, o estudo dá grande destaque ao papel do país de língua portuguesa entre os principais parceiros chineses no continente.


Os dois países estabeleceram em 2010 uma parceria estratégica, com a China a fornecer linhas de crédito e Angola a pagar com petróleo, que fez com que o comércio bilateral aumentasse mais de 2 mil por cento entre 2002, final da guerra civil e 2012, fazendo de Angola o segundo principal parceiro da China de entre os oito países de língua portuguesa.


De acordo com os dados oficiais, as trocas comerciais entre os dois países ascenderam a 35,91 mil milhões de dólares em 2013, com a China a vender a Angola produtos no valor de 3,96 mil milhões de dólares e a comprar mercadoria cujo valor ascendeu a 31,94 mil milhões de dólares.


Segundo Yun Sun, as prioridades de Pequim fazem com que o Ministério do Comércio chinês se mostre “naturalmente inclinado” a consignar grande parte dos apoios externos a países que oferecem mais oportunidades e benefícios comerciais à China.


Uma vez que o interesse económico chinês está virado para recursos naturais africanos, são os países ricos em recursos a merecer mais atenção, como é o caso de Angola.


O nível de apoio a Angola foi de tal ordem e o regime de ajuda tão eficaz que acabou por ser alargado a outros países com o nome de “Modelo Angola” – acordos de financiamento com baixas taxas de juro para os países africanos, garantidos com o fornecimento de matérias-primas.


“Estes países têm grande dificuldade em obter financiamento nos mercados financeiros internacionais e a China fez com que esse financiamento estivesse relativamente disponível”, escreve Yun Sun.


Angola completou o primeiro empréstimo garantido por petróleo em Março de 2004 e, segundo o analista, as linhas de financiamento ajudaram as petrolíferas chinesas a assegurar contratos de exploração.


Em 2005, a aquisição pela Sinopec do Bloco 3/80 coincidiu com o anúncio de um novo empréstimo de 2 mil milhões de dólares a Angola, e em 2010, a mesma petrolífera estatal chinesa comprou 50 por cento do Bloco 18, ao mesmo tempo que a primeira parcela de um empréstimo do Banco de Exportações e Importações da China.


Entre 2004 e 2011, segundo a investigadora Deborah Brautigam, a China efectuou negócios sem precedentes com pelo menos 7 países ricos em matérias-primas, com um valor próximo de 14 mil milhões de dólares.


Luanda recebeu no início de Maio a visita oficial do primeiro-ministro chinês Li Keqiang, inserida numa digressão pelo continente africano que o levou à Etiópia, Nigéria e terminou no Quénia.


Os países assinaram dois acordos, um para a supressão de vistos diplomáticos e o segundo no domínio financeiro, após um encontro entre Li Keqiang e o Presidente angolano José Eduardo dos Santos.